quarta-feira, maio 16, 2018

A voz de Tina: PRÉ-ESTREIA




A escritora mineira Conceição Evaristo em sua coletânea de contos “Olhos D’água” afirma:

“E foi então que, tomada pelo desespero por não me lembrar de que cor seriam os olhos de minha mãe, naquele momento resolvi deixar tudo e, no dia seguinte, voltar à cidade em que nasci. Eu precisava buscar o rosto de minha mãe, fixar o meu olhar no dela”.

Diferente da personagem de Conceição Evaristo, por decorrência de morte não posso mais buscar os olhos de minha mãe. Entretanto, sempre que busco o exercício da literatura me esforço em trazer da memória àquilo que de melhor colhi dela em vida. Foi motivado por esse exercício e pelo convite da teatróloga Chris Martins, que estudei, pesquisei e ao fim produzi esta peça teatral “A voz de Tina”. E na data do dia 13 de Maio (dia das mães de 2018 e, data que marca a famigerada abolição da escravatura) na assistência de sua primeira montagem da peça pude sentir a atmosfera da presença materna. 




MUITO OBRIGADO!
O grupo deu realidade ao que idealizei de Clementina de Jesus, e trouxe da minha infância o frescor da alegria. Não é fácil trazer para o palco uma representação tão forte como a presenta imponente da Rainha Quelé. Haja vista que temos de lidar com o preconceito social, de raça, de cor, de religião e de afetividades, mas o grupo foi firme em suas convicções e alcançou sua vitória.

Parabéns à direção, a produção, aos atores e em especial as atrizes. Meninas, vocês não apenas deram vida às infinitas mulheres que esta peça teatral representa, mas uniram sua voz em prol da igualdade. 




Toda a reverência para vocês que fizeram acontecer este sublime momento.
Muito obrigado, por dar vida ao que povoou minha imaginação.

domingo, abril 22, 2018

A VOZ DE TINA: 13/Maio no teatro do Ator em São Paulo


Estreia em São Paulo no dia 13 de Maio a peça “A voz de Tina”, de Robson Di Brito, no teatro do Ator, região central da capital paulistana. Com direção de Chris Martins (Martins Direção Teatral), e um elenco produzido por Iris Goya.
A peça “A voz de Tina”, composta em três atos com propriedades de esquetes teatrais. O ponto central e motivador deste exercício criativo literário foi dar vida cênica à existência musical da cantora afro-brasileira Clementina de Jesus. Uma digressão que abarca vida pessoal e musical da “Quelé”. Por tratar-se de uma livre interpretação de vida e carreira, tanto a artista quando as personagens recordadas sofrem um exacerbo para delinear o contexto social, político e econômico que viveu Clementina de Jesus.



O convite para escrever esta peça surgiu da teatróloga Chris Martins que, identificou a necessidade de dar voz à negritude brasileira e sua participação votivo-religiosa nas canções populares do Brasil. Para tanto o exercício literário teatral mergulha no universo dos Orixás (deuses africanos) e une o clamor da religiosidade negra com os acordes vocais de Tina (apelido de infância de Clementina). 
Não é de estranhar que a reflexão política e social contra o preconceito religioso e de cor se faça presente, entretanto não tem o apelo desmesurado da imposição, mas um fluxo de conscientização. Neste sentido brinca-se com os tons que a arte teatral possibilita – comédia, drama e uma pitada de criticidade.
Não se propõe uma tendenciosa, nem saudosista percepção ao hediondo escravismo, que foi acometido o Brasil, ao conferir um olhar artístico ao nível mais subalterno, o qual tem sido inserido o negro desde o princípio da expansão ocidental. Apenas se faz a recordação de uma das vozes importantes para a cultura brasileira, uma representante da força negra feminina que permeia a musicalidade, culinária, representação, afetividade, ou seja, a própria cultura do brasileiro.


Enfim, ao deparar-se com essa ação teatral, pode te vir à mente a imagem de uma deusa emergindo em forma de canto, algo que te segura e te prende ao ponto de não ser possível fugir. Se você concorda com o que foi dito, saiba que está absolutamente correto! “A voz de Tina” traz à tona um universo afro-brasileiro, em que é possível ascender a novos entendimentos da relação homens e divindades no interagir, e se beneficiar ou se perder neles. “A voz de Tina” é um convite para conhecer um pouco mais de Clementina de Jesus e sua contribuição à rica Cultura Nacional.


A introdução, nota do autor, da obra literária foi musicada e produzida por Dj. Work, acessível no canal do youtube do autor.  

sábado, abril 14, 2018

Nova tradição na Semana Santa de Diamantina



Marcelo Brant - foto pessoal
No dia 27 de Março deste ano iniciou a EXPOSIÇÃO LAÇOS, que conta com 23 artistas com obras que versam sobre artes visuais, fotografia e poesia. A exposição ficará aberta até o dia 28/04 no teatro Santa Isabel e contou com a curadoria do Artista Plástico diamantinense Marcelo Brant.
Não é a primeira vez que uma exposição como esta, tão grandiosa e diversa, tem sido elaborada e planejada por Marcelo Brant. É já uma tradição da Semana Santa para os habitantes de Diamantina e seus turistas a contemplação por mais este momento artístico. Talvez já estejamos esquecendo de refletir sobre a tradição que grande parte da população diamantinense devota à esta intervenção artística-literária, e que é fundamental para a perpetuação de Diamantina, e até mesmo para a tradicional Semana Santa mineira.
Envoltos em um clima psíquico de santidade e do expurgo dos pecados, invocados pela Semana Santa, o que é uma tradição na cidade e afeta profundamente a dinâmica da Diamantina, seja pelas festividades, pelas representações que remontam os passos de Cristo até seu martírio ou pela exposição no Teatro Santa Isabel.
A exposição, como todos os anos, busca uma ressignificação para o tão batido conceito de Semana Santa. Sempre com temas que versam sobre o entendimento humano da união; conduz sua assistência para uma autoavaliação de seu estar no mundo. Neste ano a temática: LAÇOS condiz com a percepção do sentido de tradição. Ela que é uma acepção do entender estrito de “passar adiante”, de “entregar” e encontra repouso no sentido de laço que a exposição invoca.

Trata-se da definição simbólica de união, de energia, de força, mesmo crendo que também poderá remeter às amarras grosseiras que tradições preconceituosas e vexatórias impõem à modernidade. A EXPOSIÇÃO LAÇOS lança luz aos diversos entendimentos que este símbolo prescreve, e serve à sociedade um acurado olhar sobre a beleza, a fé e a união.
 discurso da tradição, ressignificado em laço pela exposição, não é especializado justamente porque não exige nenhum nível profundo de intelectualidade, mas do sentir. Um sentir que emana dos artistas que se impõem nas obras artísticas e nos toca, criando laços entre nós, meros contempladores. Nosso entendimento da sacralidade da Semana Santa e nosso estar no mundo são unidos pelos laços destes 23 diversos artistas iniciantes e consagrados. Basta um olhar, basta contemplar por minutos para que se crie um laço de empatia pelo que a curadoria de Marcelo Brant nos presentou. 
Registros - Raquel Galiciolli

Diamantina com a Exposição LAÇOS é laçada para o belo que as novas tradições podem produzir.

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