domingo, junho 18, 2017

KELLY: Minha leitora fiel



A brincadeira de aventurar-se no mundo das palavras, e se arriscar escrever carrega consigo uma gama de possibilidades. As inevitáveis e necessárias críticas, as surpresas dos desafetos e dos novos afetos, os incrédulos (é sua escrita?), os elogios, e os leitores. Este último acredito eu, é a maior conquista. Ter leitores para um autor amador e iniciante como eu, é mais que um privilégio, é a realização de que cheguei a alguém por meio das minhas palavras.

Este é o agradecimento para minha fiel leitora: Kelly Souza.

Quando nos conhecemos, alguns anos atrás, ela nem sabia direito que eu escrevia, mas um dia me disse: Quero te ler! Acompanhou-me por um ano pelo Facebook quando escrevi (praticamente em tempo real) meu conto-crônica “Relacionamento com uma gata”, e vibrou a cada publicação me pedindo mais. Quando estive em São Paulo para o lançamento do livro “Daqui e Dali”, uma Antologia de Poemas Latino-americanos. Um projeto do Eco Latinos da cidade de São Paulo; pude constatar: Eu tenho uma leitora!
Confiei e confio na leitura dela. Tanto foi, que me foi a primeira a ler, o tosco manuscrito, “Sereia presa na caixa d’água”.
Nosso relacionamento é estritamente escritor-leitora. Às vezes quando nos encontramos esporadicamente pelas mídias sociais, entre fotos de seus filhos e maridão. Acompanho sua vida e ela me acompanha a minha; vidas digitais. Mas sempre que dá conversamos, e ela me pergunta: Está escrevendo? Eu: Sim! Ela: Não esquece o meu.  Não, ela não é palpiteira. Pelo contrário, me deixa livre para produzir o que eu quiser, e se permite envolver com minhas palavras, sem me julgar – apenas adentrar em cada mundo que construo.

Kelly,
Sou imensamente grato por estes seis anos que estamos juntos escritor-leitora. Em uma carta para Goethe, Balzac afirma que o escritor deve escrever para ele, e não para quem o lê. Longe de eu querer discordar de Balzac, logo eu, mas não o obedeço. Você desvirtuou em mim a urgência de seguir o mestre Balzac. Eu escrevo para nós. Para mim, e para você.

Muito obrigado por ser minha leitora fiel!

Seu exemplar do “Sereia presa na caixa d’água” já está no caminho.

domingo, junho 04, 2017

VOCÊ QUER ME LER?

O ROMANCE

O livro Sereia presa na caixa d’água é um exercício literário sem nenhuma pretensão de ser algo, além disso. A história se passa a priori na cidade de São Paulo, e explora a mitologia das religiões afro-brasileiras. Unindo a vivência da religiosidade por meio de sua representação mítica mais as buscas por identidade e respeito na sociedade brasileira. Sua proposta como narrativa é unir a ficção que a literatura fantástica proporciona e a informação.
Faz-se importante frisar que esta obra mesmo possuindo um suporte de pesquisa – livros, artigos, contos e cantos orais – não tem a ambição de se classificar ou caracterizar como uma obra que represente qualquer Nação as quais a religião afro-brasileira pertença. E como um caldeirão, uma mistura, um hibridismo tão presente no povo brasileiro – tendo uma aceitação à miscigenação ou não – o livro busca imiscuir uma diversidade de representações desde o mítico e imagético mundo religioso até a representações religiosas de fato.
Os entrelaçamentos linguísticos africanos, bem como as Nações africanas aos quais procedem, com o português moderno do Brasil correspondem estritamente a uma linha de proximidade com a realidade proposta pela narrativa ficcional, e jamais com o real. Se você, leitor, portar-se com o intuito de apreender deste uma representação da realidade, recomendo que pare aqui! Mas se prosseguir, que possa passear sobre um mundo criado especialmente para esta trama, que versa sob uma inspiração nas mitologias africanas.

O VÍDEO BOOK

A produção do book trailer foi também um exercício literário. O grupo Bantos do Baú, notadamente um grupo de dança afro resistente da cidade de Diamantina produziu essa pequena produção para divulgação desta obra. Mais que um short vídeo, é uma produção que visa contribuir como mais uma visibilidade para a cultura afro-brasileira. O cinegrafista (Valter Lopes), da produtora Valter Filmes, saiu de sua zona de conforto, visto que atua em produções cinematográficas de festas e eventos, e se permitiu lançar criativamente na produção de um vídeo que foge ao convencional. A participação de Jacqueline Marinho, vinda do Grupo Maracatu Estrela da Serra de Diamantina possibilitou visualizar a musa imaginativa do autor. A trama não corresponde diretamente à narrativa do livro, mas absorve a atmosfera criada por ele, e dá vida a uma de suas personagens mais enigmáticas: a Iyami-Ajé.

COMERCIALIZAÇÃO DO ROMANCE
Sou um autor amador, tenho outras obras publicadas e editadas por mim. Gosto desta liberdade que a edição e comercialização amadora me proporcionam. Entretanto acreditei que o livro merecesse uma atenção especial quanto ao trato editorial. Por isso, permiti que a editora que o produziu realizasse este trabalho. A capa brilhantemente idealizada e produzida pelo artista plástico Marcial Ávila, e estilizada graficamente pelo designer Leonardo Ramaldes, foram assim como a trama e o autor desrespeitados.
Foi um ano de espera, e o resultado além de não corresponder ao esperado, apresenta grotescas e gritantes fragilidades que não deveriam ocorrer. Obviamente que toda produção tem seus percalços e dificuldades, mas nada justificaria ao leitor adquirir um produto com erros escandalosos. Sinto-me na obrigação ética e como autor e leitor de não cobrar por essa obra.
Para tanto, essa será uma edição limitada e distribuída gratuitamente. Tenho comigo os únicos 100 exemplares. A editora não irá comercializar em seu site, já foi acordado este parecer.

PARA QUEM DESEJAR TER O LIVRO:

Obrigado todxs que me escreveram pedindo um livro.
Já enviei todos os 100 que tinha, e se esgotaram.
Espero que apreciem sem nenhuma moderação. 

Obrigado

domingo, março 19, 2017

GRUPO UM CANTO À MÉTA-METÁ

Discurso de abertura da apresentação de “Um canto à Méta-Metá” 
no Sintegra 2017, na UFVJM.



A formação do grupo “Um canto à Méta-Metá” é uma iniciativa coletiva em prol da cultura afro-brasileira. Cada componente contribui com sua habilidade à promoção e divulgação de um dos braços que mais sofre preconceito no Brasil – as religiões de matriz africana e afro-brasileiras.


Seu nome provém de um dos Orixás mais controversos e pouco estudado do panteão iorubano: Lógunède (da trindade Oxum, Oxóssi e Logun). O livro Mãe, Pai & Lógunède escrito por Robson Di Brito em 2016 contribui com uma possibilidade de entender este deus da mitologia africana e afro-brasileira.

Este trabalho conta com a introdução da Pesquisadora, Mulher, Militante Negra Doutora Rosália Diogo. A capa é de Guilherme Santana. O desenho de um dos animais símbolos deste orixá, o cavalo marinho, foi elaborado pela desenhista Sara Galicioli. Sua primeira apresentação aconteceu no Memorial Minas Vale em BH, em um evento promovido pelo “Instituto Casarão das Artes”, dirigido pelo artista plástico diamantinense Marcial Ávila. Outro momento em que o grupo uniu-se para expor sua arte foi no “IPHAN-Casa da Chica” na cidade de Diamantina, e contou a contribuição do artista plástico Rafael Cabral na cenografia, propondo uma atmosfera lúdica e propícia para a vivência poética do encontro com um Orixá.

A apresentação no SINTEGRA 2017, na UFVJM (Universidade Federal dos Vales de Jequitinhonha e Mucuri) é uma intervenção poética-votiva que conta com o entrelaçamento de voz, instrumentalização, poesia e Dança. Este encontro conta com a voz de Malu Costa e violão e voz de Gabriel Botelho. Vindos do remanescente grupo de dança afro da cidade de Diamantina, o Grupo Bantos, em que Maikel Douglas e Tiago André entrelaçam MPB e pontos do candomblé, além da performance dançante do orixá Lógunède. E convidada do Grupo "Samba de uma moça só" da cidade de Diamantina, Aninha Sá, que empresta sua voz à composição do canto para rainha do mar Iemanjá.

Portanto, este é um soar, chamado, inspiração que povoa todo o povo negro e mestiço. Este sentimento chama-se fé. E a fé uniu este grupo. A fé de Salomão proporcionou-lhe uma inspiração que o fez escrever belíssimos Salmos. E desde os primórdios do Cristianismo são propagados como representação explicita da fé. “Mãe, Pai & Lógunède” e UM CANTO À MÉTA-METÁ também é uma expressão explicita de Fé. Entretanto, o enraizamento do preconceito ainda não permite que seja visto como tal. 










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