sábado, novembro 21, 2009

Fui ao Gaudério...

O programa Pânico na TV com aquele linguajar chulo, recheado de palavrões e, humilhações públicas de pessoas, em sua maioria sem instrução, sem beleza e sem um pingo de noção, conseguiu me assustar e eu fui ao Gaudério. Rápida explicação. Sou natural de Caçador (SC), mas fui criado na capital Paulista (SP), meu pai é um gaúcho bonachão que vive na fronteira. É o meu Gaudério. Tive muito pouco contato com a cultura do Rio Grande e, hoje morando em Lajeado com o meu amor. Resolvi desbravar os Pampas e conhecer a sabedoria do meu povo! Voltando... Depois de ter de ouvir Rute, Rutee, Ruteee por longas semanas no trabalho, na faculdade e até mesmo dos doces lábios do meu amor resolvi ir ao meu Gaudério. Disse a ele que tenho medo de que todo o Brasil e, os Pampas, não saibam mais o que é o respeito ao individuo. O que o pânico esta fazendo com a gente? Perguntei a ele. Como “Paulista” que relativamente sou, estava de calça jeans, sapato e camisa; o Gaudério de bombacha e botas, nós dois no meio do capim, vendo o Vale Taquari do alto da colina. Ele tomando chimarrão e eu no café de garrafa térmica. Tchê meu Guri... Disse ele. O programa pânico na TV mostra o circo ao povo que não tem pão, o povo quer rir, mas não quer pensar, não quer se envolver. Todo mundo quer churrasco de costela e, tomar chimarrão. Bah mas abra esta tua cabeça cheia de poluição (ele gosta de me alfinetar como bom gaúcho que é). O Pânico ta fazendo o que a imprensa que se diz jornalística e, de informação deveria fazer, mostrar que artista é gente e não sobrenatural, que os Piás aprontam quando bebem. E que tem Guria muito da bonita e, algumas são até que inteligente! Bah capaz (me deu um tapa na orelha) pensa um pouco corintiano da Churupita. Nenhum jornalismo de circulação nacional e, com grande audiência de publico entrou naqueles buracos de São Paulo para mostrar que o povo não tem instrução sobre as drogas. È mentira do Gaudério Tchê? (perguntou ele). Eles precisam vir em Lajeado também. A mídia daqui, onde é que ta pra mostrar o sujo crescimento do uso de craque? Ao invés mostrar bailão e fandango. Bah outro dia eu aqui no centro e tinha um negocio bacana de um artista plástico, umas pedras brancas dizendo craque aqui não, isso sim é bom, é pro povo pensar, tomar chimarrão e pensar. As pedras do caminho foram tiras, mas o craque ficou. Bah que vergonha! O Rio Grande esta se movendo aos poucos, mas tem de ir onde à sujeira ta, tem de levar a informação até lá. Outro dia perto da tua casa, lá no centro prenderam uns traficantes, não esta tudo perdido, aos poucos tão fazendo alguma coisa, mas precisam fazer mais. Obrigado Gaudério. Agradeci, mas ele logo rebateu: Capaz que’u não terminei! O pânico só ta mostrando a realidade da forma mais suave para o povo aguentar, no riso. O povo ri do ridículo dos outros, mas depois quando o riso passa fica a vergonha. Claro, que quando eles estragam a programação eu mudo pro fantástico. Terminei meu café e o Gaudério seu chimarrão. Sai correndo para não chegar tarde para a ceia, o amor não gosta! Estava a algumas distancias quando meu pai gritou: Oh pia, para de rebolar que tu ta parecendo o Christian Pior. Tive de xingar o Gaudério. Dentro do carro ainda ouvi sua gargalhada e An-to-ni-o Nunes (PLÀ!), uma imitação muito ruim.

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