sábado, janeiro 09, 2010

Este é 2010

Tenho de relatar como iniciei 2010. Literalmente de perna para o ar. Quebrei os dedos, médio e anelar do pé esquerdo, isso no dia 30. Passaria o réveillon em Sampa, não pude ir, festejei no litoral catarinense na praia de Gamboa, entre amigos do peito e o meu amor. Não estou trabalhando, tenho dores e minha vida literária, parou dia 02, quando terminei de ler “Caim” de Saramago. Hoje resolvi mudar meu blog, dar uma repaginada, tentar uma comunicação com amigos e idealizar um novo projeto, outro livro. “Maças mofadas” já esta na rua, estou à espera que uma editora me publique, que aposte nas palavras da Aline e, veja na Sara a verdade entre o paralelo de deixar de existir e existir enfim. “Maças Mofadas” é o meu primeiro livro “solo”, terceiro do meu sonho de vida literária, foi difícil, maravilhoso, cansativo e angustiante escrevê-lo. Decidi descobrir o mundo e me descobrir. Exprimir no papel a minha imaginação aliada ao que vivencio, são os dois ingredientes que me ajudam a acreditar que, o mundo pode ser melhor do que é. “Maças Mofadas” nasceu de três tristezas. Três amigos de infância cometeram suicídio, suas cartas de despedidas chegaram até mim, inspirado, por estas cartas, criei outras. Nesse obscuro do deixar de viver, despertei Aline (personagem fictícia), a garota que mora em mim. Descobrindo o que é o viver, sem estar viva de fato. Através da fina casca do mofo de uma maçã, ela espalha sua ironia e crueldade infantil, mostrando a nós os vivos, que a “morte” nada mais é do que, um sentimento que passa. Um pouquinho para conhecer. (...)Foi então que eu vi uma árvore negra, atrás dela, dava para enxergar o céu branco e nuvens num tom de cinza bem claro, penduradas, em seus galhos, grandes maçãs, vermelhas como o batom da minha tia “Ana Babaloo”. Eram as mais lindas maçãs que eu já tinha visto em toda a minha existência, eram tenras, suculentas, brilhantes, e eu sorri por poder enxergar suas cores. Se eu pudesse chorar, eu teria me desfeito em lágrimas naquela hora. Acredito que meus olhos brilharam como dois diamantes diante da visão mais bela de todo universo, o vermelho de um fruto, senti também como se estivesse diante da árvore do fruto proibido. Uma das maçãs caiu do alto da árvore negra, deslizou pelo grosso tronco e rolou pelo gramado até bater na ponta do meu pé. Peguei delicadamente, como se estivesse pegando a maior preciosidade do universo, faltou mão para envolvê-la, enquanto eu a trazia para cima, ela mofava diante dos meus olhos, até surgir uma camada grossa de veludo mofo por cima do vermelho paixão. Fiquei tão furiosa com aquilo, senti como se fosse uma falta de respeito pelos meus sentimentos, joguei na garotinha que tinha de dar cabo de sua vida. Se alguém pudesse me ver naquela hora poderia jurar ter visto o capeta em forma de menina de tão furiosa que fiquei. Foi, então, que escolhi esta forma de dizer: “Chegou a sua hora!” (...) Este é 2010. Chegando como todos os outros, trazendo expectativas, medos, esperanças e precisando ser preenchido.

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