quinta-feira, agosto 19, 2010

Pare a conexão. Eu me apaixonei

Já vai o sol dormi através da cortina do meu quarto A hora de parar o tique-taque soou Que confusão atroz, dos vaivéns de janelas. No tempo online me perdi Que balburdia minha tela! Mas eis um deslize O mouse manso com fragor correu Roxo de fome semelhante a um dalit, Pensei em me erguer Erguer-me! Partir da imensidão digital O sol lança ainda amarela luz O frio chega de uma nuvem que se despe O relógio pia do criado mudo Mas fiquei, procurei com sombrio espanto. Olho em um perfil, um blog. Não acho ninguém Por entre sites, arrasto meu alento. Com lentos passos, caminho pela net. Cheguei onde? Ainda eu não sei. Reclinado na cadeira Com a voz ainda magoada De toques tristes, digitei assim “Mulher distante, que não conheço em vida, Por onde andas? Aonde vai se hospedar? Por que se esconde entre sites e bytes? Sabe-se que me vivo a te procurar.” O amor cibernético é um desalento solitário Onde se desliga no Power Liga-se no login Chorando na solidão negra da tela. Abandono os dias de ar puro Buscando aquela página onde vi uma mulher Não era colorida, nem fotoshop a exprimia Era em preta e branca a fotografia. Quão pesado tem sido minha busca Há horas vago no mundo digital Entre lágrimas arranco a esperança Dos sinceros escritos seus. Talvez no mundo real nem mulher seja, Gozes das minhas palavras Como qualquer outro, tolo blogueiro, Em afãs desejos de um toque impar Mas enfim surge ela: -“Nunca, nunca!” o toque lento surge na tela Responde aquela que busco em comunidades -“Nunca, nunca!” repete ela Formosas letras em Arial Black saciam-me a alma Cobre-me do véu a alegria Entre longos sons de uma música qualquer Singela moça de virgens toques Meus escritos encontram os seus: -“Não, não me abandone na imensidão tola da internet Não podes me ver, mas meu peito arde ao ler os escritos seus Mesmo sem as forças, os dedos não param Quero acompanhar a escrita como a fala corrida Quero transpor a matéria e invadir-lhe a tela Alcançar-te em teu quarto gelado Iluminando como a luz real do sol na fresta da janela, Tirando-o do imaginário cibernético.” Por fim o sol deitou-se me seu ciclo dormitório Dormiu com ele a minha solidão.

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