terça-feira, janeiro 18, 2011

A moda da verdade

Começo então esta coletânea de contos com as palavras propostas pelas meninas da telemetria. Está primeira palavra é, rufem os tambores, gritem as concorrentes ao Oscar, escandalizem-se os jornalistas, tampem os olhos os moralistas: GOLFAR. Proposta pela Laura. Espero que gostem. Se não gostarem tudo bem, eu já publiquei aqui no blog mesmo. Gargalhadas de um medíocre escritor que não tem medo de expor sua opinião. Eu sou assim!
A moda da verdade Essa felicidade, uma incógnita prisão regendo os homens, que enxergam na liberdade o leve gosto daquela que por também leves momentos se apresenta nisto que chamamos de vida. A felicidade não existe sem o conhecimento, a verdade. Mas o possuir a verdade esta é infelicidade. Saber que a felicidade, esta como as placas pela estrada e a vida é o carro. Perceber as placas se vê a felicidade, mas você passa e a deixa para trás e muitas das vezes nem a nota. Periferia de São Paulo, onde mora Rejane, Capão Redondo seu reduto, seu refugio, sua margem como a titulo para os estudiosos da nossa sociedade. Levantar às cinco da manhã, trabalhar em dois empregos, almoçar em quinze minutos e pousar a carne cansada na cama vazia todos os dias na uma hora da manhã. Crueza de uma solitária, daquela que lamenta que a felicidade corre para longe de suas ideias. Chora no travesseiro e a noite em seu negrume é sua companhia. Ela sim não a vê como mais uma. Não é a estatística da semi-analfabeta, também não esta traficando, tão pouco roubando a casa dos ricos nos ricos bairros desta tão desigual cidade - São Paulo. Esta desolada na frenética vida do existir pelo existir, estar na terra pelo simples preenchimento de algo que ela mesma, jamais pensou em imaginar. Por que o eco dentro dela? Esse vazio que por vezes é preenchido pelas promessas de uma renovadora derrocada nacional, com um novo político, prometendo, jurando, tecendo uma teia demagógica para seus patrícios onde ela mesma é mosca viva, que tomba feliz sobre este tecido leve, mas rapidamente rompido pelos jornalistas destruidores dos sonhos da classe baixa, navalhas de escândalos tão afiadas quanto a faca do açougueiro que corta o coxão mole que ela cozinha com batatas e coloca em sua marmita. È este o reflexo de Rejane espelhado no negro céu como seus olhos. A dor da solidão corroendo seu âmago é refrigerada por uma carta, um telefonema clandestino saído da penitenciaria. O peso das lagrimas é mais leve com o sonho acordado. Ela com o mesmo vestido que aquela atriz usava na foto publicada na revista de fofocas da vida dos artistas, e o céu com o mesmo azul que o filme estrangeiro, onde todos os problemas sumiam sem o mínimo esforço, onde todas as casas eram sem infiltrações, os móveis os mais bonitos. Sim... Seu sonho era a realidade irreal, onde a grama era de verdade verde, como a grama dos estádios bem tratados para os mais bem pagos jogadores posarem com seus pés de fenômenos na corrida atroz pelo melhor lance que o alce a fama. E a quebra sutil e suave. Ele. Ainda moreno, ainda com braços fortes e as mãos grandes que tantas vezes a acariciou, as coxas ainda as mesmas onde afagou seu desejo. Sem camiseta como de hábito, peito nu a moda da malandragem, mas a calça é a mesma daquele homem da novela. A fronte de seu príncipe brilha como iluminado pelos céus, o gingado a seu encontro lhe amolece a pele e o volume cambaleante da braguilha a deixa rubra nas morenas bochechas. Ele quem trás a brisa que sacode seus cachos a moda do clipe da cantora norte americana que é fã; esta diante dela, o sorriso ainda é ladino e o cheiro de seu suor a aproxima para o beijo. Toca ensandecido o despertador gritando em seu ouvido que a realidade a chama, que a felicidade não esta na cama, que o amanhecer expulsa sem piedade a mentirosa noite consoladora. Ela sorri, de dentro do ônibus consegue enxergar com mais cores a vida, as pessoas que a oprime entre as outras agora são suas amigas, o bodum humano lhe invade as narinas como o perfume mais caro. Nada a tirará deste transe, é o dia dela, é o dia da felicidade, o encontro tão sonhado com o amado. Terça feira, faltou no emprego, e de pé sorrindo diante da penitenciaria espera por seu homem. Feliz, regenerado, sóbrio, com ideais que possam ser aceitos pela sociedade. Valdomiro se aproxima, e antes do beijo tão esperado, a queima roupa, atira com sua pistola de mau hálito: - Não veio de carro? O sonho se desintegra, dentro de Rejane reverbera um acido corrosivo chamado decepção, subindo e descendo em suas entranhas como monstro pronto a saltar para o mundo. Ela inicia o golfar, de dentro dela salta uma porção de fluido que sai impetuosamente em longos jatos de felicidade. È a infelicidade lhe presenteando com a verdade, afogando em seu vomito a irrealidade tão idealiza.

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