quarta-feira, março 09, 2011

Liberdade plena.

Bem...

Leiam este novo olhar sobre a festa da carne.

Eles discutiram na normalidade do casal comum. Partiu para o drama firmando seus sentimentos de homem magoado; saiu no bater compassado dos pés. Ela seguiu triste para sua casa onde seus familiares já havia partida. Mantendo o ritual símbolo da mulher romântica jogou-se no edredom sobre o sofá, assistindo a filmes românticos e melancólicos que alimentariam as lembranças do romance vivido. Ligava descontrolada, mas ele não atendia ao telefone, no celular a torturante mensagem de que estava fora área ou desligado. Sabrina vagou do banheiro á sala, do quarto para cozinha em trajetos orientados pelo desalento. Ainda era sábado, mas o tic-tac antecipado do relógio recordava que passaria o feriado de carnaval em seu apartamento na plena ausência de seres humanos. Simplesmente só, até quarta-feira de cinzas, quando o ranço dos chocolates que devorou, as lasanhas de micro-ondas de engoliu a esmo, e os refrigerantes bebidos fermentariam em seu ventre e lhe causariam mal estar.

Quatro da tarde a campainha tocou. Era Luiz Henrique em uma suplica de retorno pós um carnaval sem seu carinho, arrependido na saudade, ao menos foi o que ele disse!

Dias antes, Luiz Henrique idealizou concretizar a despedida de solteiro que planejou durante os sete anos de namoro com Sabrina. A tática seria, e foi simples! Primeiro, transferir as milhas dos cartões de credito para a companhia aérea de sua escolha, segundo, fazer uso da carteirinha de alojamento de mochileiros que utilizou somente no primeiro ano de faculdade, quando esteve na Argentina, e por último ter uma discussão com Sabrina, assim ela nada desconfiaria. Não era um rapaz do mal, pelo contrario era bondoso e amava Sabrina. Sempre foi centrado e focado em seus objetivos, não se permitia a divertimentos que não fossem ao lado da mulher que escolherá como companheira. Mas, havia um, mas. Queria curtir sem o receio da repreensão feminina, sem a ditatorial escolha dos lugares certos e repletos das mesmas pessoas paulistanas. Queria poder coçar o saco quando quisesse, mijar na borda do vaso, fazer maldade com desconhecidos, escarrar na rua, porra, fazer coisas que todo homem faz. Não sentir uma coleira abaixo do queixo, queria ser homem! Fugir do escritório, esquecer que tinha compromissos, aventura, sim, isso, A-VEN-TU-RA e se ver longe da Megalópole brasileira. Ter a consciência de que não estava fazendo mal a ninguém nem mesmo a Sabrina era a permissão, que poderia aventurou-se em seu plano.

Sábado de tarde, jogou a mochila no quarto de alojamento dos estudantes em Santa Tereza e partiu de camisa listrada para o cordão do Bola Preta. Bebeu cerveja até se fartar caindo nos seios suculentos da negra que o grudou durante todo o baile, acompanhou o cortejo dos suarentos foliões e o sacolejar das tetas voluptuosas de sua ninfa até os arcos da Lapa onde fumou maconha e entupiu-se de tequila com os novos amigos. Acordou na praia de Copacabana com o sol rindo em raios luminosos em seus olhos. Primeira reação; verificar documentos e cartões de credito nos bolsos, e logo após retirar a camisinha ainda embolada e seca entre as coxas. O banho de mar lhe livrou da ressaca e purificou a alma.

Domingo de noite, como no dia anterior largou a mochila, agora com roupas sujas, no alojamento do Pelourinho e correu sadio feliz feito menino inocente atrás do trio elétrico, munido apenas de short, dinheiro vivo e chinelas havaianas. O roça-roça ritmado da multidão conduzia-o a plenitude de liberdade. Comeu cachaça de alambique curtida na cobra, batida de coco, nem água de cheiro ele dispensou. Na hora em que a fome bateu sucumbindo seu estomago em devorar-se a si mesmo, atracou-se em um acarajé bem quente, e fatídicos minutos depois, desemborcou de seu estomago todo o azedume que não lhe fazia bem, claro que tudo isso ainda atrelado ao cordão do trio elétrico. Encochado por homens, mulheres, sexos e desejos, mal conseguindo manter-se de pé, permitiu inconsciente ser penetrado por um baiano cor de terra com dentes brancos semelhante os brilhos dos fogos, envolvente em cheiro ocre maresia e folia, braço forte de trabalhador das Docas do Porto. Não queria saber de limites, não buscava imposições, apenas puxou para o lado a abertura do short e buscou a liberdade plena em seu significado.

Ainda sentindo o efeito do álcool e ardência na região glútea chegou a Santa Catarina. Um novo banho e pronto estava para curtir a noitada de Segunda nas boates da ilha mágica. Desta vez faria diferente. Nada de misturar, apenas vodca, vodca pura, e como complemento cocaína, cocaína que o libertasse do cansaço e revigorasse seu animo para concluir sua meta. Dançou, subiu no palco, beijou uma, apertou um no canto da boate e terminou ao raiar do dia nos braços de uma loira gostosa que verteu para a escuridão da traqueia seu mais viscoso liquido, a mais preciosa essência que o paulista liberto poderia lhe dar, seu gozo!

Terça-feira. Estava agora em Ilha Bela, dormindo no regaço da tranquilidade do colo da mãe burguesa paulistana. Sentindo reverberar dentro de si toda uma confusão carnavalesca, um abrupto de gaseificações e ardências nunca sentidas, a própria bile já havia dado o ar da graça inúmera vezes. Era o corpo expelindo o que não prestava, cuspindo nos olhos da ideológica liberdade que sucumbia na cama macia junto de Luiz. Porém, poderoso e conclusivo, porém, dentro dele havia um ser, um novo ser, não uma renovação dele mesmo, mas uma criatura. Ele fora fecundado por carnaval. Gerava em seu interior aquilo que o acompanharia até o definhar de seu ser, aquele viral que lhe esbofetearia a todo instante pedindo liberdade de sua carne decompondo-se a cada dia. Luiz Henrique lavava um ser que jamais sairia de dentro de si.

Quatro da tarde de quarta-feira de cinzas a campainha tocou no apartamento de Sabrina. Era Luiz Henrique em uma suplica de retorno pós um carnaval sem seu carinho, arrependido na saudade, ao menos foi o que ele disse! Transou gostoso com aquela que seguiria com ele até o desprender de sua alma, para a verdadeira, pura e límpida liberdade plena.

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