segunda-feira, julho 18, 2011

Os Gomez

A noite era de tranquilidade, e o pai Mauro conversava animadamente com o filho Guillermo. Gargalhadas e relatos sexuais eram regados a boas doses de vodca. Guillermo já alcoolizado ouvia atentamente a descrição do encontro de pai de sessenta anos com a misteriosa moça de vinte. Semanas anteriores o ex-deputado Mauro tinha sido convidado a prestar consultoria política a um jovem deputado na cidade de Campinas. Aposentado do senado federal vivia dos rendimentos que a política ainda podia lhe proporcionar, e de consultoria aqueles que ambicionam as melhores posições no senado brasileiro:

Eu estava tomando um café quando senti um perfume maravilhoso invadir a padaria. Guillermo quando olhei para o lado. Vi a mulher mais gostosa que este velho poderia sonhar em ter nestes braços flácidos. E papo vai, papo vem. Quando dei por mim tinha conseguido o brotinho. È um bebê que precisa de mamadeira o tempo todo. Moleque! Seu velho aqui não perde tempo. Ela diz que quer chupar, eu corro pra dar de mamar.

As gargalhadas exageradas tomaram o recinto. Foi quando a porta da sala bateu atrás deles. Era Juarez o filho mais velho. A dias o homem dava suas fugidas dos atentos olhares do pai, irmão e da enfermeira que o cuidava. Agia pelo instinto de um homem normal e adulto. A calça de moletom era a mesma do dia anterior. Estava sorridente, a mais que o seu normal, e no canto esquerdo do lábio escorria a espessa baba de sempre, que serpenteava na barba por fazer. Em sua constrangedora e involuntária ação de revolver o órgão genital de um lado para o outro, pronunciou um nome, que caiu aos ouvidos do pai como uma trovoada em meio ao a um dia de sol radiante:

Qui-i-té-é-ria!

Seu penis babava como sua boca, e mostrava-se vigilante pelo remexer de um lado ao outro. Era aquela sensação que procurava. Aquele sentimento que queria. Juarez buscava em seu corpo o arrepio revigorante que o revelava que estava vivo:

De onde você tirou esse nome? Berrou o pai. Não quero mais ouvir este nome aqui na minha casa. Ouviu? Ouviu seu débil-mental?

Calma pai. Foi Guillermo em defesa do irmão.

Foi você que ensinou pra ele?

Ensinou o que?

O nome daquela criança? Não quero mais ouvir este nome. E saia da minha frente com essa porra dura entre as pernas. Falou a Juarez o empurrando para o corredor de acesso aos quartos.

Para com isso pai. Eu não ensinei nada pra ele. Vai ver que foi a Lucrecia. O senhor sabe com ela era apegada a mamãe. E só esta conosco porque prometeu pra ela em seu leito de morte que cuidaria do Juarez. Além do mais no que há de mal? Ela esta longe mesmo, e a gente nunca teve contato com ela. A tia Maura nem deve ter contado sobre a gente para ela.

Terminou a noite para os homens da família Gomez. O pai nos braços de Kika em um motel barato no centro da cidade de São Paulo. Guillermo masturbando-se em seu quarto, relembrando o rebolado de Kerina, a garota que planejava pedir em casamento no próximo mês. Juarez inundado em seus sentidos de sentir seu corpo. Tateando cada parte dele na complexa mutação de seu avantajado membro, que causaria inveja ao mais seguro homem por seu tamanho. Refazendo no intrigado de sua recordação afetiva o toque suave da moça do apartamento 69, o sorriso suave por ela compartilhado, o beijo molhado no ouvido. Desejou gritar, mas se conteve por medo da repreenda dos parentes. Tentou chorar, mas estava feliz. Mordeu o travesseiro e logo soltou para respirar. Queria lambuzar-se no barro e contentou-se em aninhar-se nos lençóis de algodão. Sentia fome, mas sabia que estava saciado. Queria o mundo sobre ele na convulsão tremula das pernas; como quando sentiu quando a moça do quarto ao lado deitou-se nua sobre seu corpo. Adormeceu.

***

Novamente o pai e Guillermo. No ritual masculino do papo noturno acompanhado da vodca. Falava ao pai sobre suas intenções com Kerina. Estava decidido e queria a aprovação do pai, por isso marcar um jantar para a próxima noite, a fim de apresentá-la ao patriarca e fazer o tão desejado pedido. O brinde selou a aprovação de Mauro. E o motivou a trazer a namorada para o jantar, compartilhar com ela que logo, logo, pelos seus planos também seria parte da família. E a queria neste momento de alegria entre os Gomez. Seria a apresentação do filho e do pai. Os Gomez e seus pares. Mas, havia Juarez.

Rompeu Dona Lucrecia em desespero ao centro da sala:

Senhor Mauro, Juarez desapareceu novamente.

Tinha que sumir. Você não sabe cuidar dele. Ergue-se bruto contra a senhora.

Ele pediu pão, eu fui buscar, e quando voltei não estava mais no quarto dele. Então procurei pelo apartamento antes de vi até o senhor.

Chega de desculpa. Você não olhou ele direito e o babão sumiu.

Não senhor Mauro.

Que não o que? Assim que ele voltar, porque sei que vai voltar. Já voltou outras vezes. Você vai pegar os seus trapos e ir embora e...

Mas senhor Mauro!

Sem mais. Você é surda, velha?

Para papai. Por favor, Lucrecia, procura novamente.

Juarez bateu a porta por trás de si quando entrou:

Chegou o babão do pinto grande! Disse o pai em deboche.

Graças a Nossa Senhora! Exclamou Lucrecia.

Onde você estava Juarez? Questionou Guillermo.

Não importa! Interrompeu o pai antes de respondesse. Vai logo para o seu quarto antes que comece a babar pelo chão da sala. Tira a porra da mão do pinto. E você. Disse para Lucrecia. Pega suas miudezas e rua.

***

No aparelho de cd tocava Monica Naranjo em sua interpretação para Chicas Malas, o filho dizia que era música preferida da namorada. A mesa posta para um jantar a quatro. Juarez no quarto fora proibido de sair. Vestiu a única calça social que possuía e a camisa de listras verde limão. A campainha tocou. O pai foi atender. Guillermo estava no banheiro. Juarez se plantou no meio do corredor que dava visibilidade para a porta de entrada. O perfume da mulher invadiu o recinto. Era o cheiro que hipnotizava os Gomez. Guillermo apreçou em balançar o diminuto órgão genital. Juarez sorriu e Mauro sentou os frouxos lábios enrugados nos firmes sulcos labiais dela.

A mulher no bar no canto da sala. Preparando as bebidas. De costas para o sofá. O vestido longo de flores coloridas dançarem nas voltas do seu corpo. Guillermo voltou do banheiro e sentou-se ao lado do pai, admirando a pedido deste as curvas traseiras da namorada. Juarez ainda de pé no meio do corredor segurava seus movimentos junto com a respiração contida. Ela virou-se dando sua face para o deslumbre dos Gomez:

Kika! Exclamou radiante Mauro

Kerina? Questionou perplexo Guillermo.

Qui-i-té-é-ria! Inundou-se de prazer Juarez ao pronunciar o verdadeiro nome dela. Sentia-se mais especial que o pai e o irmão por ser o único a pronunciá-lo.

Acalme-se Guillermo. Disse suave e com cautela. Foi tudo uma coincidência. Quando te conheci, já conhecia seu pai.

Espera aí. Você é a tal da Kerina? O pai vermelheou.

Guillermo não conteve as lagrimas:

Mas por quê?

Amo os dois, de corpo e alma. Seria capaz de dividir meu corpo e meu coração para poder ser duas e amá-los separadamente. Mas não posso. Não posso mandar neste sentimento. Nós mulheres amamos com os deuses, não há como explicar, não tem como descrever, só se ama. E eu amo aos dois.

Como fazemos? Questionou o pai.

Mas eu te amo, Kerina. Te quero para mim!

Eu também te quero meu querido. Como amo e quero a seu pai.

Não... Não. Guillermo desmanchava-se em lagrimas, enquanto Mauro encantava-se mais pela figura de sua Kika.

Sei que não poderemos viver juntos, sendo eu amada por pai e filho. A sociedade não aceitaria e Deus nos condenaria. Então serei daquele que mais me amar.

Tirou de sua bolsa também florida qual o vestido um revolver calibre 38. Pousou-o no centro da mesa posta em frente ao sofá onde estavam sentados. Encarou aos dois com a mesma doçura de sempre:

Aquele que mais me amar. Dele serei!

Me nego a isso, é loucura.

Sem titubear. Aproveitando-se da fraqueza do filho. Mauro agarrou o revolver como quem agarra um fio de esperança em um momento de morte e atirou a queima roupa entre os olhos dele, largou a arma no sofá e partiu para o abraço de seu premio:

Minha. Você é minha. Viu com te amo. Disse na agitação do ato cometido beijando com vontade, sem perceber que ela não o abraçava, não reagia como desejava.

È melhor você sentar.

Mauro afastou-se e a encarou. Ela apontou com o queixo para trás de si. Lá estava Juarez com o revolver apontando para o pai:

Não tenha medo, Kika. È o meu filho retardado que te falei. Disse para ela acreditando que a iria tranquilizá-la. Me dá isso babão. Juarez não reagiu.

Vou repetir novamente. Senta. Esta última pronunciou secamente.

Como é? Perguntou incrédulo.

Atira no pé dele bonitinho. Assim fez Juarez.

Eu disse para você sentar.

Mauro sentou-se com o pé esquerdo queimando. A cólera tomou seu corpo e desejou agredir ao filho, mas a imagem que se formou diante dele dissolveu a cólera dando lugar a perplexidade. Juarez estava ao lado de sua Kika. Ainda lhe apontando a arma, e babando como sempre. E desta vez quem estava no ato de remexer o avantajado órgão era ela:

Você não sabe o quanto eu desejei este momento. Para ser sincera imaginei que seria difícil, mas foi muito fácil. Eu planejei este momento a vida toda...

O que é tudo isso? Questionou o velho já com lagrimas nos olhos.

Isso? É a vingança a favor de minha mãe e de minha tia. Primeiro você troca minha tia Maura pela minha mãe Carmen. Até ai tudo bem. Se você a amasse ainda era aceitável. Mas não. Para um Gomez tem de ter uma podridão. Tem de ser como quando você era político, imundo e asqueroso. E ainda violentador.

Mas...

Cala a boca, se não o Juarez acerta o outro pé. Você agrediu minha mãe por longos anos. Eu fui feita em estupro. Na minha gestação você a agrediu. Tem consciência de como você foi desumano?

Quitéria? Questionou Mauro entre lagrimas.

Qui-i-té-é-ria! Repetiu Juarez com um sorriso aberto.

Sim, pai. Quitéria. Sou a causa das fugas do Juarez todas as tardes para o apartamento 69 aqui do prédio.

Não pode ser. E Maura?

Falecida de câncer a seis meses, sem direito a um tratamento adequado. Sobrevivendo com uma aposentadoria de domestica concedida pelo governo espanhol. Foi essa a vida que você fez minha tia Maura viver. Longo dos amigos, dos conhecidos. Longe de sua pátria. Assim que ela se foi tratei de vir de Madrid. Onde você me mandou junto com ela. E eu tinha dias de nascida. Dias. Chega, não é papai. Ta na hora de acabar com tudo isso.

Espera filha... Me perdoa.

Como posso, se ao seu filho querido, o Guillermo você não pensou duas vezes antes de executá-lo? Sejamos justos. Bonitinho, no meio da testa dele. Assim fez Juarez.

Quitéria ainda com a mão envolvendo o órgão genital levou-o até a sacada. O vento fresco da noite levantava o cheiro dela como um redemoinho em plena duna de areia. O aroma envolveu o homem que apenas sorria e babava:

Pula e me espera lá embaixo.

Pulou para a amplidão de sua liberdade. Na procura do melhor sentimento que seu corpo poderia proporcionar. O vento que passava rápido por seu rosto inundado do cheiro de Quitéria fazia-o sorrir. Não baba. Mas estava excitado e do...

2 comentários:

  1. Tbm sou apaixonado por literatura ,não é a toa que fiz letras,pena não ter muito tempo para me dedicar a leituras!
    Gostei do blog!

    http://euvouassimhomens.blogspot.com/
    Abrçs!
    Jota c.

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  2. Que Gomez, em?
    Um conto intrigante, audacioso...espetacular!!
    Parabéns! Fiquei presa a leitura e queria mais.
    Um dia lindo.
    Um grande abraço.

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