quinta-feira, agosto 02, 2012

Poderoso tronco infante.



Ainda imbuído na cultura africana e afrobrasileira, buscando a concretude desta mítica religião, cercada de mistérios e sabores tão próximos a nós – brasileiros – e tão recriminada, atraco em uma lenda, e desta lendo vislumbro um Orixá.

Logun Edé na maioria dos mitos, surge como filho de Oxum e Oxossi. Algumas vezes apresentando-o uma representação dos Orixás Gêmeos, Ibeji. No sincretismo brasileiro é na figura do santo católico Expedito.

Simultaneamente representante da caça e pesca. É o herdeiro dos axés de seus pais que se fundem e se mesclam como mistério da criação. Um orixá que tem a graça, a meiguice e a faceirice de Oxum à alegria, e a expansão de Oxossi. Se Oxum lhe confere axés sobre a sexualidade, a maternidade, a pesca e a prosperidade, Oxossi lhe atribui os axés da fartura, da caça, da habilidade, do conhecimento.

Ao unir o feminino de Oxum ao masculino de Oxossi, o leva a ser representado como uma criança, um menino pequeno ou adolescente, formando mais uma trindade sagrada na História das religiões. Com Logun Edé, completa-se o triângulo Yorùbá: Pai, Mãe e Filho, que também se repete nas trilogias: católica (Pai, Mãe e Espírito Santo), egípcia (Ísis, Osíris e Hórus), hindu e tantas outras. Mas se, em várias tradições, ele é considerado um orixá masculino, em algumas é confundido com a homossexualidade ou a bissexualidade, o que ocorre quando se interpreta ao pé da letra o mito que afirma viver Logun Edé seis meses como homem e seis meses como mulher. Na verdade, a interpretação mais aceita seria que essa se trata de uma metáfora para falar dos axés herdados por ele de seus pais. 

Após ser abandonado e viver com Ogum, aprende com ele as artes da guerra e da metalurgia. É coroado por Iansã como o príncipe dos Orixás. É amigo íntimo de Yewá, seriam eles os Orixás que se complementam, considerados o par perfeito. 

Num mito raro, Logun Edé se perde no caminho entre as casas de Oxum e Oxossi, é encontrado pelo velho Omolu que o ampara e protege. Com Omolu, Logun Edé aprende a arte da cura e a feitiçaria. 

O seu primeiro nome, Logun, no Brasil se mesclou ao segundo, Edé, nome da cidade Yorùbá na qual o seu culto se fortaleceu, formando Logun Edé. Logun pode ser uma abreviatura de Ologun que, em Yorùbá, quer dizer feiticeiro. Existem templos para Logun Edé em Ilesa, seu lugar de origem, onde é citado como um corajoso e poderoso caçador, que tamanha coragem é relacionada à de um leopardo. De culto diferenciado e totalmente ligado ao culto a Oxum, é um Orixá de extremo bom gosto. Tem predileção ao dourado, é um Orixá muito vaidoso, considerado o mais elegante de todos os Orixás.

Costuma ser cultuado no Candomblé, mas não na Umbanda. Logun Edé não é um Orixá “metá-metá”, ou seja, um Orixá de dois sexos, embora divida o tempo com os pais, Logun Edé é um Orixá masculino. Ele é a beleza em pessoa, o encanto dos jovens, o namoro, o flerte. Rege a ingenuidade do jovem, a adolescência, a beleza adolescente. O seu encanto está no primeiro beijo, no primeiro abraço, no primeiro carinho. Está presente no brilho do olhar, no perfume das flores e numa paisagem singela, está encantado nos pequenos animais, como o coelho, o porquinho-da-índia e os pequenos pássaros, no mato baixo, nas matas pouco densas e principalmente nos rios, sua morada predileta. É também o deus da arte: de pintar, esculpir, escrever, dançar e cantar.

Um comentário:

  1. Ele ,Yewá e Ossaim são orixás do reino encantado ,e realmente os são ,assim como seus filhos que encantam de tal maneira aqueles que o rodeiam que fazem brotar sentimentos únicos ,principalmente os Logum -Edé :nos apaixonamos no primeiro tudo ,e é impossível deixar de adimirá-los!

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