quinta-feira, setembro 20, 2012

Um tronco de palha




Sempre fui apaixonado por cemitérios, para mim, é um dos lugares mais tranquilo para ler, estudar e filosofar sobre a vida. Quando descobri que Omolú é o rei da Calunga pequena, fiquei imensamente feliz.  Continuando nesta pesquisa a cerca da religiosidade afrobrasileira, proponho o conhecimento do Orixá Omolú. Desta vez utilizo como base para a produção deste texto introdutório, os sites: “Raízes Espirituais” e “O Candomblé”.


Omolú/Obaluaiê é o senhor das doenças, Orixá da renovação dos espíritos, senhor dos mortos e regente dos cemitérios; considerado o campo santo entre o mundo material e o mundo espiritual. É conhecido como Obaluaiê no Candomblé, como Obaluaê na Umbanda, como Xapanã no Batuque. Xapanã é um nome proibido tanto no Candomblé como na Umbanda, não devendo ser mencionado, pois pode atrair a doença inesperadamente.

Omolú está ligado ao interior da terra (ninù ilé) o que o liga com o fogo, já que esse elemento, como comprovam os vulcões em erupção, domina as camadas mais profundas do planeta. Toda a reflexão em torno do Orixá coloca-o como ligado a terra, o que pode ser mais devastador que o fogo? Resposta exata a esta pergunta retórica – Só as epidemias, as febres, as convulsões lançadas por Omolú!

Cercado de mistérios; sua origem é incerta, e em distintas regiões da África eram cultuados deuses com características e domínios muito próximos aos seus. Poderia ser o rei dos Tapas, originário da região de Empê. Em território Mahi, no antigo Daomé, chegou aterrorizando, mas o povo do local consultou um babalaô que lhes ensinou como acalmar o terrível orixá. Fizeram então oferendas de pipocas, que o acalmaram e o contentaram. Omolú construiu um palácio em território Mahi, onde passou a residir e a reinar como soberano, porém não deixou de ser saudado como Rei de Nupê em pais Empê.

As pipocas, o deburu, maior símbolo do Orixá, são suas oferendas prediletas; um deus poderoso, guerreiro, caçador, destruidor e implacável, mas que se torna tranquilo quando recebe sua oferenda preferida. Sua relação com a morte dá-se pelo fato de ele ser a terra, que proporciona os mecanismos indispensáveis para a manutenção da vida. O homem nasce, cresce, desenvolve-se, torna-se forte diante do mundo, mas continua frágil diante de Omolú, que pode devorá-lo a qualquer momento, pois Omolú é a terra, que vai consumir o corpo do homem por ocasião da sua morte.

Obaluaiê andou por todos os cantos de África, muito antes, inclusive, de surgirem algumas civilizações. Do ponto de vista histórico, Omolú é a idade anterior à Idade dos Metais, peregrinou por todos os lugares do mundo e conheceu todas as suas dores. Por isso Omolú se tornou médico, o médico dos pobres; muito antes da ciência, salvava a vida dos necessitados; durante a escravidão, só não pôde superar a crueldade dos “senhores”, mas de doenças livrou muitos negros e até hoje muitos pobres só podem recorrer a Omolú que nunca lhes falta.



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