terça-feira, outubro 09, 2012

Tronco destemido



Para a coletânea Raiz de Baobá, trago o brilho feminino, conto com os Blogues Centro Espiritual de Umbanda – Esperança e Juntos no Candomblé para melhor compreender este Orixá. Lembremos que esta introdução é para simples conhecimento, uma sucinta pincelada na magnitude que há nas lendas, mitos a cerca destes deuses.

Obá, Orixá africano do Rio Obá ou rio Níger, uma das esposas de Xangô. Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orixás, derrotando vários deles. Obá derrotou Exú, Oxumarê, Omolú e Orunmilá, tornou-se temida por todos os deuses. Tendo sido derrotada apenas por Ogum e tornando assim sua esposa, e ao seu lado quando este foi enfrentar Xangô em batalha encantou-se pelo rei do trovão e abandonou a luta se entregando a Xangô como mulher, vivendo uma grande paixão. O que Xangô representa para os mortos masculinos, Obá representa para as mulheres mortas. Ela assim como Xangô é a representante suprema da ancestralidade feminina.
Este Orixá é que aquieta e intensifica o racional dos seres, já que seu campo preferencial é o esgotamento dos conhecimentos desvirtuados. A orixá Obá é uma divindade regida pelos elementos terra vegetal. Junto com Oxóssi forma a terceira linha de Umbanda Sagrada, que rege sobre o Conhecimento. Ele assentado no polo positivo e irradiante desta linha, já Obá em seu polo negativo ou cósmico, que é absorvente. Seu elemento original é a terra, pois atua nos seres através do terceiro sentido da vida, que desenvolve o raciocínio e a nossa capacidade de assimilação mental e realidade visível, ou somente perceptível, que influência nossa vida e evolução contínua.

Um dia Obá não se conteve e perguntou a Oxum qual o segredo de sua sedução. Oxum, que vivia com a cabeça enrolada em turbantes maravilhosos, disse que havia cortado a própria orelha esquerda e colocado no Amalá (comida à base de quiabo) de Xangô que, ao come-lo, por ela se perdera de paixão para sempre. Obá então cortou a própria orelha e a colocou no Amalá. Ao ver Obá com um ferimento no lugar da orelha, Xangô quis saber e Obá contou. Neste momento Oxum tirou seu turbante e, mostrando as duas orelhas intactas. Xangô, zangado com a insensatez de Obá e enjoado por ver sua orelha na comida, expulsou-a de seu palácio e Obá tanto chorou e teve raiva que se transformou num rio revoltoso. Na África, no lugar onde se encontram os rios Obá e Oxum o estouro das águas é extremamente violento.
Obá no sincretismo é identificada na Santa Católica Joana d’Arc.

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