quarta-feira, novembro 07, 2012

Tronco de ouro



Dispensa apresentações sobre este orixá, um dos mais cultuados no Brasil, Mamãe em minha intimidade! Para elaboração deste texto introdutório com os blogues: Umbanda de Todos Nós, Umbanda sem mistério e Candomblé: O mundodos Orixás.

Oxum é a força dos rios, que correm sempre adiante, levando e distribuindo pelo mundo sua água que mata a sede, seus peixes que matam a fome, e o ouro que eterniza as ideias dos homens nele materializada. Como as águas dos rios, a força de Oxum vai a todos os cantos da terra. Ela dá de beber as folhas de Ossaim, aos animais e plantas de Oxóssi, esfria o aço forjado por Ogum, lava as feridas de Omulu compõe a luz do arco-íris de Oxumarê. Associada à maternidade, por sua doçura e feminilidade, e extrema voluptuosidade advinda da água. Considerada a deusa do amor, Vênus africana. Como acontece com as águas, nunca se pode prever o estado em que encontraremos Oxum, e também não podemos segurá-la em nossas mãos. Assim, Oxum é o ardil feminino. A sedução. A deusa que seduziu a todos os orixás masculinos.

Existem 16 tipos diferentes de Oxum, das quase adolescentes até as mais velhas, sendo 16 o número sagrado da mãe da água doce. Diz a lenda que as mais velhas moram nos trechos mais profundos dos rios, enquanto as mais novas nos trechos mais superficiais. Além disso, o fluir da água doce pelos diversos caminhos, a maneabilidade do elemento se manifestam no comportamento de Oxum.

Certa vez, em uma festa de Oxalá, as sacerdotisas dos vários orixás, com inveja da sacerdotisa de Oxum, puseram-lhe um feitiço: quando todos se levantaram para saudar Oxalá, ela ficou presa na cadeira e suas roupas ficaram sujas de sangue. Todos riram e o Orixá ficou zangado. A sacerdotisa, envergonhada, tentou se esconder, mas nenhum Orixá lhe abriu a porta. Só Oxum a recebeu e transformou as gotas de sangue em penas de papagaio. Sabendo dessa magia, os outros Orixás vieram prestar homenagem a Oxum, e Oxalá lhe deu a proteção dos filhos de santo, que durante a iniciação passaram a usar uma pena vermelha na testa.

Para Oxum foi reservado o posto da jovem mãe, da mulher que ainda tem algo de adolescente, coquete, maliciosa, ao mesmo tempo em que é cheia de paixão e busca objetivamente o prazer. Sua responsabilidade em ser mãe se restringe às crianças e bebês. Começa antes, até, na própria fecundação, na gênese do novo ser, mas não no seu desenvolvimento como adulto. Oxum também tem como um de seus domínios, a atividade sexual e a sensualidade em si, sendo considerada pelas lendas uma das figuras físicas mais belas do panteão mítico iorubano.

Logo que todos os Orixás chegaram à terra, organizavam reuniões das quais mulheres não podiam participar. Oxum, revoltada, resolve mostrar seu poder e sua importância tornando estéreis todas as mulheres, secando as fontes, tornando assim a terra improdutiva. Olodumaré foi procurado pelos Orixás que lhe explicaram que tudo ia mal à terra. Explicou-lhes então, que sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nada iria dar certo. Oxum foi convidada para participar de seus trabalhos e reuniões. Imediatamente as mulheres tornaram-se fecundas e todos os empreendimentos e projetos obtiveram resultados positivos. Oxum é chamada Iyalodê (Iyáláòde), título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre as mulheres da cidade.

Oxum é o arquétipo daqueles que agem com estratégia, que jamais esquecem as suas finalidades; seus filhos possuem a imagem doce que esconde uma forte determinação e um grande desejo de ascensão social. Gostam de festas, vida social e de outros prazeres que a vida lhes possa oferecer. Tendem a uma vida sexual intensa, mas com muita discrição, pois detestam escândalos. Não se desesperam por paixões impossíveis, por mais que gostem de uma pessoa, o seu amor-próprio é muito maior. São narcisistas demais para gostar muito de alguém.
Ai Ei Eiô, Mamãe Oxum!

Revelo então: RAIZ DE BAOBÁ: Oxum.

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