quinta-feira, janeiro 30, 2014

A VIAGEM DE DARWIN


Darwin: a vida de um evolucionista atormentado
Autor(es): Adrian Desmond e James Moore
Da: Editora Geração Editorial, 2013
Tradução: Cynthia Azevedo.

Continuo com as considerações desta maravilhosa leitura. Estamos nos anos de 1831-1839. Com as voltas e viravoltas dos suspenses pré-viagem de Darwin. Os próprios subcapítulos nos dão dicas de como será essa travessia da vida pacata de um jovem, que coleciona besouro e outros bichinhos nojentos, para um explorador de continentes. São eles: Minha saída de cena; Um caos de deleite; Espíritos atormentados de um outro mundo; Fundações abaladas; Vida Colonial e Os templos da Natureza.  

Ao primeiro contato com o capítulo encontramos o inocente Darwin agitado com a expectativa de uma viagem ao redor do mundo. Depois uma negativa por parte do comandante. Um explorador – “colonizador” – que o rejeita, mas recuou, e por fim aceita Charles como seu tripulante por causa da recusa de um amigo. Francis Beaufort, almirante cheio de ideias contra a democratização e as revoluções inglesas. Correto, estamos no período de mandos e desmandos do parlamento inglês. Então é a vez do magnífico pai (puro sarcasmo meu!) causar turbulências em suas esperanças de sair do ninho. O velho é convencido, por um tio materno de Charles Darwin, que afirma será uma boa oportunidade para o caráter do jovem. A recusa do pai ocorre por conta da vida clerical que pretendia ao filho. Sim, ele estudava para ser um reverendo Anglicano. O plano de vida almejado pela família era transformá-lo em líder de uma comunidade religiosa no interior do interior longínquo da Inglaterra, e onde ficaria até o dia de sua morte. Mas, o destino sorriu para ele, e uma viagem ao redor do Mundo bateu em sua porta.  Ao redor do Mundo era o planejado, mas que se limitou a uma voltinha de cinco anos ao redor do continente americano.

Viagem carregada de vômitos, enjoos e aventuras coloniais. Pasmem! Ao menos eu pasmei!, suas ideias acerca da evolução humana não ocorreram por conta da biologia ou de qualquer pressuposto evolucionista, mas por causa da Geologia. O barato é o seguinte: Darwin era muito atento, observador – bisbilhoteiro, pronto #Falei! – e em suas andanças pelos países do continente americano, o que o chamou a atenção foram os níveis de camadas do solo. Que resultou na sua conclusão de que a terra na verdade submergiu do mar. Explicação, também atribuída, por conchas encontradas nas superfícies das montanhas, muito longe do mar. Quando chega a Galápagos, depara-se com micro-organismos multicelulares, que são, para suas observações, desdobramentos de outros seres vivos. Esses encontrados tantos a beira mar quando no alto das montanhas e longe da ilha.

Estando em meio ao convívio dos colonizadores, dos colonizados, e dos escravizados; no Brasil esteve na Bahia e no Rio de Janeiro, espantou-se com a facilidade de contatos entre o colonizador (português), colonizado (índios) e os escravizados (negros). Contato de língua, convívio e sexualidade. Foi a partir de suas observações dos índios no Brasil ao norte da costa carioca que se questionou; se eles não seriam a pré-história do homem civilizado? Duvida lançada. Ao menos é o que nos conta Adrian Desmond e James Moore.

Continua com suas pesquisas geológicas, inicia observações com os animais, e depara-se com os macacos, que como lhe diz um dos tripulantes do Beagle, o navio capenga que viajavam: O macaco é o primo distante do homem! Outra duvida surge – Se somos próximos aos macacos, o que Deus tem a ver com o homem? Sim queridos leitores, a religião é posta a prova – o coitado fica até doente por conta disso, passa meses dentro do navio boiando em um mar de febre.

Durante sua travessia manda cartas, opiniões sobre o que esta pesquisando, e informações sobre o Novo Mundo para o Velho Mundo. Com a ajuda de professores, familiares e colaboradores, que recebem ossos, plantas, bosta de bicho e carcaças de animais em decomposição, Darwin torna-se um celebridade na Inglaterra e parte da Europa. A comunidade científica aguarda com expectativas sua chegada. Estão babando de vontade de saber sobre suas conclusões.

O capítulo é fenomenalmente concluído com a reflexão sobre a mudança de opção da vida clerical à científica. Reproduzo aqui um trecho do final deste capítulo bárbaaaaaaaaro:

“A paróquia estava sendo expulsa pela natureza – tomada e coberta pela vegetação. Sua irmã havia adivinhado isso. “Papai e nós muitas vezes pensamos sobre o furor que você causará quando retornar, mas ao mesmo tempo temo que sejam pequenas as esperanças de que você ainda vá se dedicar à igreja”. {carta de sua irmã caçula} De fato, Charles já estava atendendo ao culto em outro altar”.

È dessa reflexão que saí o título do subcapítulo: Os templos da natureza.

Logo, postagens das próximas leituras.
              
Eu sou assim.
Assim que sou!

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