sexta-feira, janeiro 17, 2014

Vermelho Amargo


Vermelho Amargo
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós
Da: Cosac Naify, 2011

Como leitor voraz que sou, não me permito prender em um só livro. Afinal, há milhares de mundos que precisam ser conhecidos. Por isso, durante a leitura de Darwin, iniciei paralelamente o conhecimento de outros mundos. Trago para nosso compartilhamento mais uma boa leitura: Vermelho Amargo.
Espero que apreciem.

Quando leio um livro, faço sem me preocupar com o autor, afinal, o que me interessa é a história, sua literatura – fato! Nesse nosso período em que a valorização do ego, numa exacerbação narcisista em que o criador é mais forte que a criatura em si, me enoja. Por isso vou ao contrário da turba. Tenho essa tola tradição comigo, mas algumas vezes tenho de burlar minhas ideias. Foi assim com Vermelho Amargo.
Não conheço o Bartolomeu. Não conhecia antes de ler “Vermelho Amargo”. Ele une o que mais aprecio em uma romance. Narrador em primeira pessoa, uma criança ou adolescente contando uma história com representações adultas e fantasia.
No livro um menino faz uso da simbologia de um tomate para descrever de forma áspera e dura, mas poética, a amarga infância sem a presença da mãe. Mas com um elemento digno de conto de fadas, a madrasta.  Não como a sedutora Lucrécia do Vargas Llosa no “Elogio da Madrasta”, nem como a madrasta da Branca de Neve, mas um meio termo entre elas.
Não ter mãe, é um fardo pesadíssimo para uma criança, eu sei bem o que é isso! E Vermelho Amargo apresenta esse fardo de forma espetacular. O Narrador faz uso de fatias de tomate cortadas por sua madrasta para apresentar as irregularidades vividas pelos outros personagens, irmãos e pai, na ausência da mãe e primeira esposa.
 O pai alcoólatra, que rende frases memoráveis: “com o suor desinfetando o ar, tamanho o cheiro de álcool” – não é um doce amargo essa frase? Um irmão que come vidro – Ui que agonia! Uma coitada de uma irmã que vive fazendo ponto cruz, mas que depois o marido torna-se sua cruz de fato – coitadinha!
 O narrador é o último a sair da casa do pai, por consequência disso narra à saída dos irmãos. E a cada partida a grossura da fatia do tomate vai se alargando. As impressões sobre a madrasta são mutáveis, mas não conclusivas. Ora ela é uma vilã querendo envenená-los, ora uma coitada tentando conquistar o amor deles, mas sempre é a outra.
Depois de ler o livro decidi conhecer o Bartolomeu. E dizem alguns críticos, inclusive na página da editora, que é uma obra de inspiração autobiográfica. Se for o que Vermelho Amargo apresenta, que infância sofrível essa do Bartolomeu.
E outro elemento que confere a obrigatoriedade da leitura para quem gosta de uma boa história é a poesia. Que romance poético, duro, áspero e às vezes grosseiro, mas poético!
Recomendo.

Afinal...
Eu sou assim.

Assim que sou.

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