sexta-feira, abril 15, 2016

DAS CONSTRUÇÕES SECULARES ATÉ A ALMA HUMANA


Se a primeira e maior preocupação dos estudos sobre a literatura nos ensinos secundários e de vestibular é selecionar e difundir livros, a segunda é o estabelecimento das relações entre as obras literárias e suas intersecções com as outras artes. Possibilitando a construção de um estudante consciente das representações do homem no mundo. Assim, a relação entre signo verbal e signo visual é muito estudada pela literatura e suas modalidades, entre elas a intersemiótica e suas derivações (visual, gerativa etc.), que buscam a significação, definida no conceito de texto. Este, por sua vez, se define como uma relação entre um plano de conteúdo (o que e como diz) e um plano de expressão (manifestação desse conteúdo em um sistema de significação, que pode ser verbal, não verbal ou sincrético).
Neste sentido, Diamantina é um verdadeiro ambiente propício para tal estudo, e campo de fácil manipulação da concretude e união das artes. E o colégio Diamantinense não se imiscui desta compreensão. Para tal, no dia 31 de Março deste ano ocorreu uma aula sobre Arte e Literatura na pousada Pouso da Chica. Além de situar-se dentro das tradições e do Patrimônio Histórico da Humanidade, que é esta cidade mineira, Pouso da Chica tem passado por grandes transformações. O restauro das antigas imagens que remontam o início do século em suas paredes, foi o ponto central desta aula.

Um afazer meticuloso, que une a contemporânea arte na recuperação de obras clássicas. Dois artistas encabeçam essa busca: Fernanda Alvarenga e Rafael Cabral. Para este encontro reuniu-se alunos do Preparatório e do Colégio Diamantinense, juntamente com o professor de Literatura Robson Di Brito. Obviamente que os inúmeros hibridismos que o tempo proporcionou à Diamantina apresentaram-se nesta aula, visto que as obras ali retratadas não intuem nenhum momento histórico das artes plásticas, mas possibilitam visualizar a grandiosidade que é a Athenas do Norte (Diamantina).

Os alunos foram recebidos pelo artista contemporâneo Rafael Cabral que apresentou as inúmeras etapas do restauro. Desde a recuperação do reboco, até a pintura das obras. Esta última busca remontar os padrões artísticos e técnicas de seus criadores. Uma acurada pesquisa que parte deste a história da arquitetura do lugar, suas lendas e supostos criadores – os irmãos Boi, que estiveram em Diamantina na década de 20. E como tal insere aos estudos que se constrói sobre Diamantina mais um grau de grandiosidade. Não apenas pelo título concedido pela UNESCO, mas por possuir em suas ladeiras artistas que valorizam e preservam nela a passagem das artes.


O enaltecimento das artes preconizado pelo colégio Diamantinense é uma iniciativa de elevar a cultura para um patamar que lhe cabe. Não se pode negar que o povo mineiro é um povo criativo, assim como nossos artistas de restauro (Fernanda e Cabral). E o Pouso da Chica impõe-se como um responsório, que abriga grandiosidades das artes plásticas, e se abre para o mundo do turismo asseverando que em Diamantina, as artes estão desde as construções seculares até a alma humana.

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