sábado, setembro 10, 2016

Olha o passarinho!


Texto para uma das exposições na BIENAL HOSPÍCIO II: INCONSCIENTE DA ARTE 2016 em Diamantina/MG.

A morte é um clique silencioso vagando em espiral no vácuo do tempo imperceptível ao tato mas acionada no dedo Ela é uma cor anunciada na folha de papel e rotulada de óbito É o círculo da lente latente e pulsante no ir e vir do foco constante do esclarecer e embaçar o caminho da existência A pegajosa retina que se expande até o limite ocular da íris irrigando sangue e se falseando de vida mas explodindo como um feixe de luz Sim ela é a luz irradiante do universo que gira o vagar cósmico da existência ela é a explosão da mecânica fotográfica que eclode do dedo humano e sem o humano ela não se faz Escrava de sua sina de registrar e marcar a passagem do ser na terra Se esconde como um símbolo que emerge da existência de eternamente (re)significar Dentro dela cabem mensagem impressões expressões e uma infinidade de inconscientes Uma vez impressa na existência jamais se apaga da memória Seu papel é eterno e suas bordas infindas Uma hora te bajula mentindo sua distancia e te deixa embriagado pelo simples desejo de a dominar Mas ela acampa como um paparazzi sarnento que baba pelo simples passar da sua existência Ela se rasteja como o deslizar  do papel sobre o piso de taco encerado Ela te sorri e você faz careta para ela Sabendo que a qualquer momento o clique será o seu último registro Um eterno clicar que o impede de ver a luz que se fez no instante pois ela te cega A luz da morte te segue no momento em que lhe diz Olha o passarinho!
ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf. ãUf.
E sem folego você se vê impregnado no tempo imóvel ao tudo que um dia foi sua mente seu corpo suas bajulações suas invejas suas penas suas defecações mentais por posição seus vômitos morais sua religião seus dogmas prescritíveis e eternamente mutáveis suas falsidades e seus  sorrisos interesseiros suas ganas pelo indesejável e seus segredos seus vilipêndios jamais revelados seus sexos irrigados de sangue e fervendo no deslizar da carne sobre a carne Ela não te perdoa Ela não te absorve Ela cospe sua insignificância como uma posição imprópria e indesejável de ser revista A morte é o seu self Ela é seu Avatar Ela se impõe bela no perfil de sua Time-Life e mesmo assim você a beija

A morte Iku A morte Iku A morte Iku A morte Iku A morte Iku A morte Iku A morte Iku
A morte Iku A morte Iku A morte Iku


 Essa foto precisa e desembaçada da minha vida É com ela que me caso e registro todos os momentos felizes e pesadamente desejo seu afastamento como o esfriar de um amor Ela não me ama Eu não a amo Mas sem ela não tem como existir você Aceita! Eu a aceitei! Naquele momento em que sorrir quando ela se escancarar em dentes amarelados babentos e já criando muco putrifico nos cantos dos lábios bichados dela mesma e fazendo a vida voltar pela existência de larvas que vivem por sua morte Você saberá! E a aceitará Ela acampa como uma foto momentânea e poderá te deixar bonito ou mal posicionado no ângulo Mas sempre te registrará Suas cores podem ser variadas mas não será ela quem as ditará Será você A morte só dará ordenança para a forma que elas terão de tomar Fazendo um fotoshop verdadeiro da sua existência ela iluminará Realçará Escancarará Exporará a sua vida Ela vai te expor no tempo A foto da morte vai te imprimir no livro da história Seja na memória no inconsciente no DNA na Natureza ou no existir do tempo que voa como o pequeno passarinho que ela soltou quando te registrou.

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