quinta-feira, dezembro 15, 2016

TRANSE: Um diálogo com a ilusão


Texto sobre exposição/performance Transe de Rafael Cabral.

O estudo do fenômeno humano clássico atribui que, transe é o estado de alteração do consciente.  O psiquiatra Sigmund Freud escreve que o transe é uma pulsão criativa da mente humana. A História descobriu que no Egito faraônico o sacerdote comunicava-se com os deuses por meio do transe, assim de maneira semelhante na Grécia as pitonisas realizam suas consultas ao deus Apolo. Já nos dias contemporâneos o transe tornou-se tabu e motivos de desconfiança.
Mas o porão do Museu do Diamante na cidade de Diamantina (IBRAM), recebeu no dia 24 de Novembro de 2016 a exposição/performance “TRANSE”. Uma leitura proporcionada pelo artista plástico Rafael Cabral. Nascido em Timoteo, região do Vale do Aço – Minas Gerais, mas radicado na cidade histórica de Diamantina. Como toda sua arte contemporânea, Rafael Cabral dialoga com a ilusão. Este é o ponto central de “TRANSE”.
O artista se permitiu estar 10 (dez) horas ininterruptas produzindo sua Obra. Os visitantes do museu que estiveram no local puderam acompanhar este estado de transe. E no ápice de sua ação o performance ao beber a tinta lança-se a sua entrega à arte, de maneira a impressionar o público com a junção de Obra e Corpo.
A neurofarmacologista Melissa Monteiro define este momento de transe como a imersão do artista em suas próprias águas, trazendo de lá a sua cena, as imagens impressas na tela de sua carne. Nesse sentido, é uma epifania que dá vazão ao inconsciente sendo assim, mais do que um processo de criação.
Desta maneira, Cabral (como é chamada na comunidade artística em Diamantina) demonstrou seu entendimento de transe, como sendo a sua resposta fisiológica e focada em situações que se submete pelo próprio desejo, ao mimetismo das cores. O cenário no espaço do museu, composto a respeitar os limites prediais auxiliaram nesta composição. Revestidas de tecido, as paredes foram telas desta obra viva.

São ações de abertura para a arte contemporânea como esta, que tem permitido à histórica Diamantina olhar para o mundo. Aqui povoam artistas de várias partes do país. E por isso, a cidade de Chica da Silva ainda permanece como a Athenas do Norte. Cidade que recebeu forte influência das artes medievais, impressas em suas igrejas barrocas e rococós, e também na moderna música popular brasileira. E agora a contemporânea arte viva da performance de Rafael Cabral. 

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